Estresse

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Nossos antepassados, assim como em outros animais superiores, o mecanismo da ansiedade (e estresse) foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida. Exemplo disso são as ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das catástrofes do tempo, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico, etc. No ser humano moderno, apesar dessas ameaças concretas não mais existirem tal como existiram outrora, seja por sua natureza, seja por sua frequência, esse equipamento biológico continuou existindo, “persistiu em nossa biologia a capacidade de reagirmos ansiosamente diante das ameaças”. (GOMES, 2010). “Com a civilidade do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais arqueológicos. Hoje em dia, tememos a competitividade e a segurança sociais, a competência profissional, a sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças abstratas e reais. Enfim, tudo isso passou a representar a mesma ameaça que as antigas questões de pura sobrevivência, as quais ameaçavam nossos ancestrais. Se na antiguidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha noção exata do objeto a combater (fugir ou atacar), localizável no tempo e no espaço, hoje em dia esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças são abstratas, mas nem por isso, menos agressivas; elas vivem, dormem e acordam conosco.” (BALLONE, 2010). A ansiedade seria uma atitude normal e global do organismo, portanto fisiológica, responsável pela sua adaptação a alguma situação nova e atual. Importante se faz considerar o “estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo a uma nova situação”. Em medicina, entende-se o estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão. Fisicamente o estresse aparece quando o organismo é submetido a uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, quando há uma situação percebida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido a uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, consequentemente, terá de superar. Portanto, o estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável, pois, à sobrevivência. 

Psico-logia

Estudar essa ciência deve ser tarefa constante e assídua. Compreender o comportamento humano e seus processos mentais (razões, sentimentos, pensamentos, atitudes) nos proporcionam a dinâmica da vida e dão sentido a ela. Corpo e mente são objetos desse estudo e devem ser avaliados, interpretados e analisados de forma integrada. Atualmente, estamos vivenciando muitos fatores estressantes, como a corrupção, a polarização política, a falta de investimento em saneamento básico, em saúde, em educação, entre outros pilares básicos para uma existência digna. Uma constatação apenas para justificar o nosso olhar para o mundo em que estamos vivendo. Em nossa prática em psicologia, angústias são constantes e os fatores acima elencados, se fazem presentes. Já abordei as angústias existenciais dos relacionamentos, mas hoje me reporto aos dilemas da sociedade, o que não anula nem obscurece os dilemas existenciais individuais, pois sabemos que é na relação com o outro e com o ambiente, que “nos fazemos”. Fazer esse, historicamente determinado por fatores biopsicossociais e espirituais das nossas relações. O homem é “fadado à felicidade”, pilar da dignidade da pessoa, mas em que mundo poderá encontrar isso? Nosso mundo interior é a medida dessa felicidade. Temores, angústias, lutas, derrotas, sucessos, tristezas, são facetas e circunstâncias do “real” e com isso levamos uma existência inteira a conviver. Importante se faz perceber-se, compreender-se, motivar-se, desenvolver-se, para poder entender, compreender e incentivar o outro. Não se conformar com o status quo em que estamos inseridos, participar, nos indignarmos mais com o panorama social em que estamos vivendo e, mais do que isso, transformar nossa indignação em ações concretas.

Psicologia em pauta

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Abordar a psicologia nem sempre é uma tarefa fácil ou simples. Traz consigo uma enorme responsabilidade e conhecimento. Conhecimento esse já construído ao longo da história e fundamentado por grandes pensadores, estudiosos e teóricos que fundamentam a profissão. Psicologia, estudo da mente humana, olhar por dentro, possibilidade de autoconhecimento em busca de qualidade de vida. A questão não é quem sou eu, mas que desejos almejo. Nessa hora, muitos questionamentos nos vêm à mente: porque sofro, quais são minhas frustrações, quantos sonhos, quanto estresse, por que não me veem? E o problema são “os outros”. Eu faço tudo, mas nada dá certo. Meu filho, meu marido, minha esposa, companheiro, meu chefe, ninguém me entende. A psicoterapia entra como coadjuvante para que cada um encontre suas próprias respostas. É a oportunidade de cada um, com o auxílio de um profissional, se perceber, ser ouvido, ser compreendido, sem censura ou julgamentos. É importante estabelecer um clima de confiança e segurança, que propicie ao paciente colocar as suas dificuldades de modo claro, franco e livre, bem como acessar conteúdos e memórias dolorosas da sua história de vida. Com isso, e com base em conhecimentos teóricos do funcionamento psicológico, o psicólogo formulará intervenções (interpretações, reformulações, questionamentos, confrontos, etc) que possam ajudar o paciente a tomar consciência da origem das suas problemáticas e a elaborar, aprendendo a lidar de forma mais leve e clara com os motivos que o fazem sofrer. A psicoterapia poderá promover alterações do comportamento e aumento do autoconhecimento, levando a uma maior adaptação pessoal e social, proporcionando transformações necessárias ao nosso modo de olhar para as situações que nos deparamos e muitas vezes temos que enfrentar ao longo de nossas vidas. Na psicoterapia, o terapeuta e o paciente terão a oportunidade de estabelecer uma relação de empatia, proporcionando oportunidades para que o paciente perceba e sinta suas capacidades de fazer escolhas e tomar decisões de vida, promovendo-se, desta forma, a sua autonomia e liberdade. Portanto, refletir sobre a psicologia e sua importância em nossas vidas, se faz necessário, pois a terapia, como processo único, pessoal e intransferível, nos leva a refletir acerca de nós mesmos, das nossas emoções, relacionamentos, desejos e escolhas.