Em minha experiência profissional, me deparo com situações emocionantes, quando uma criança, por exemplo, ao invés de brincar “normalmente” com um carrinho, prefere girar as suas rodinhas de forma constante e obsessiva. Uma simples forma de agir, a princípio curiosa e peculiar, pode ser sintoma de uma condição muito temida pelos pais: o autismo. Importante se faz falar sobre o tema, deixando de lado tabus e preconceitos.
Muitas famílias se assustam quando recebem esse diagnóstico, e muitas vezes se desesperam: a criança se autoflagela, não se faz entender, se agride, bate em seu próprio rosto, bate a cabeça na parede. Muitas crianças não falam, não verbalizam, mas se comunicam e entendem. Familiares contam no dia a dia com constantes desafios e superações. É um aprendizado constante.
O diagnóstico do autismo depende da observação clínica e do comportamento do indivíduo, ao considerar o desenvolvimento motor, psicomotor e social.
Esse transtorno não é diagnosticado através de exames e pode se manifestar de forma leve, moderada e severa. Atualmente são duas linhas de critério para o diagnóstico: déficit de comunicação e interação social e padrão de comportamento repetitivo e/ou estereotipado. Esses dois eixos são fundamentais.
Os sujeitos autistas têm potencialidades, que bem canalizadas farão com que participem socialmente, com relacionamentos e interações. Podem ser alfabetizados, ter rotinas, conhecer cores, números, partes do corpo, isso tudo, mesmo sem falar. Seu aparelho fonador é bem formado, mas não se tem ainda uma lógica para essa falta de comunicação oral. Muitas vezes emitem determinados sons para significar algo ou manifestar uma vontade.
A maior evolução do autista é baseada no afeto.
Afeto dos pais, dos professores e esses devem estar preparados para acolher esses sujeitos. Estabelecer com eles uma empatia real, rotinas e combinados, além de considerar a alimentação, que atualmente está sendo estudada, pois é fator de melhora. Essa alimentação deve ser isenta de caseínas, glúten e soja, pois essa dieta promove alterações cerebrais que diminuem a euforia e a agressividade.
A psicoterapia se faz importante para os sujeitos autistas, sejam crianças ou adultos, que deverão ter um cérebro bem nutrido, sem problemas gastrointestinais ou toxicidade, elementos que prejudicam a comunicação cerebral. Portanto, a alimentação é fundamental.
Importante se faz perceber que estamos todos juntos, falantes, ouvintes, silenciosos, numa relação de troca afetiva que dá sentido às nossas existências.
E também lembrarmos que somos todos iguais nas diferenças.