Inicio esse tema depois de ler uma reportagem acerca do choro. Podemos chorar de alegria, de tristeza, depois de uma grande emoção ou até conscientemente nem sabermos porquê.
A referida reportagem, “Nunca mande uma criança engolir o choro”, me faz refletir o que muitas vezes percebemos em algumas mães, que falam aos seus filhos: “engulam esse choro”, sem perceber o quanto poderão estar fazendo mal aos mesmos.
Essa situação pode repetir-se muitas vezes durante a infância e as mães, sem saber, formarem pessoas incapazes de lidar com os próprios sentimentos, que reprimam suas emoções e não consigam falar sobre nada que as deixaram magoadas. Pode-se crescer acumulando muito lixo emocional porque não se dava o direito de demonstrar o que se sente, nem mesmo derramar uma lágrima, engolindo tanto choro que sua alma poderá morrer por afogamento.
É realmente essencial permitir que uma pessoa chore.
Segundo a ciência, o choro está relacionado ao instinto de defesa humano e é também uma forma de comunicação que pode expressar dor, sofrimento, alegria e até prazer.
De acordo com a professora de psicologia da Universidade do Rio de Janeiro, Luciana Rizo, “chorar faz bem à saúde, entretanto é necessário trabalhar a forma de expressão desse choro. Os pais devem entender que o choro é uma válvula de escape para a criança, o único meio com que ela conta em alguns momentos para comunicar o que está sentindo e reprimir isso é como vedar uma panela de pressão, uma hora vai explodir e todo mundo pode sofrer as consequências”. (In OSEGREDO.COM.BR)
Em algumas épocas, ouvia-se também, que homem não chora.
Como? Não é um ser humano igual a outro? Demonstrar sentimentos se faz necessário para o desenvolvimento psicossocial da criança. O choro é o meio de comunicação dos bebês. Tem um papel importante para sua sobrevivência, para sua saúde e desenvolvimento.
Essencial também é diferenciar o choro da manha.
O choro em que a criança utiliza para conseguir alguma coisa: tanto insiste, que cansa os pais, até ganhar. Para os pais é importante distinguir, o choro como sinal de fome, de dor, das relações com o ambiente. “Há uma variabilidade grande entre bebês, quanto à quantidade de choro, portanto cabe aos pais estarem sempre atentos”.
Reprimir o choro pode ocasionar aos indivíduos, a longo prazo, o desenvolvimento de depressão ou até doenças psicossomáticas. E, nas crianças, reprimir o choro poderá desenvolver inibição, timidez e também depressão.
Importante se faz, oferecer carinho, proteção.
Oferecer nossa presença apoiadora e calmante, para que possa voltar ao seu eixo central, ou seja suportar a adversidade, ao invés de evitar o sentimento que a adversidade provoca.
Em nosso dia a dia de consultório, muitas mães nos colocam, que “do nada ele/ela mordeu o irmão/ã” e o choro se instalou. “Nunca é do nada” estava no reservatório dos sentimentos. Algo anterior, nem sempre do momento, desencadeou tal atitude. O importante é perceber que não podemos negar o sentir raiva, tristeza, medo.
Portanto, chorar faz bem à saúde.