A psicologia e a tecnologia

Hoje quero abordar um assunto que vem ocupando minhas observações tanto no dia a dia, como na prática clínica: o uso da tecnologia.

Sabemos o quanto a mesma nos facilita a vida, nos acelera resoluções, nos aproxima, nos afasta, nos faz “ganhar” tempo.

Mas, o que me inquieta é quanto de nossa vida estamos colocando na vida virtual. Penso que, quando fazemos uso inconsciente da tecnologia, essa nos faz esquecer o que temos de humanos e substituímos as pessoas. O que esquecemos quando conversamos com máquinas? Onde ficam os lugares sagrados da conversa, do diálogo, das expressões faciais, do riso, do choro, das gargalhadas?

Um mal necessário.

Segundo a psicóloga do Núcleo de Dependências Tecnológicas do Hospital Das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (USP), Sylvia van Enk, o prognóstico não é bom. Mesmo não sendo considerado uma doença, o “uso abusivo da internet tem preocupado os profissionais da saúde, especialmente porque os pais estão utilizando este recurso para distrair os bebês”. (In Camila Tremea – Especial Gazeta do Povo: 20/02/16).

Onde se perdeu o contato físico, o calor humano, o afeto direto?

Problemáticas surgem causadas pela dependência da tecnologia: sedentarismo, obesidade, insônia, exaustão, atraso no desenvolvimento cognitivo, confinamentos, reações antissociais, baixa autoestima e até depressão.

A criança deve ter a oportunidade de “viver a vida de criança”: brincar, desenhar, estar com amigos, conhecer a natureza, se sujar ao rolar na grama, tomar chuva, fazer atividade física, andar de bicicleta, patins, skate, enfim, ser criança.

Segundo a psicóloga supracitada: “na medida em que as pessoas identificarem que não conseguem interromper o uso da internet e com isso quando o fazem, manifestam sintomas como irritabilidade, angústia e ansiedade, está na hora de buscar ajuda psicológica e em alguns casos até psiquiátrica”.

Não podemos deixar que a tecnologia seja extensão de nós mesmos. Os pais devem limitar e acompanhar o tempo da tecnologia na vida de seus filhos, principalmente à noite, pois esse período deve ser de volta à calma do dia a dia tão permeado de tantas atividades, além das escolares obrigatórias. Nossos filhos vão para a natação, ballet, aula de idiomas, reforço escolar, xadrez e tantos mais. Tudo muito importante, desde que na medida e pelo tempo certo.

O uso da tecnologia à noite, pode nos causar insônia crônica, pois é muito estimulante e excitatória, até pela própria luminosidade dos aparelhos. Encontro em Barack Obama, o reforço às minhas observações e inquietações: “Todos os dispositivos sofisticados e wifi do mundo não vão fazer diferença se não tivermos grandes professores em sala de aula”.

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Lílian Gomes
Atuo como psicóloga em Ponta Grossa desde 2011, mas minha dedicação às ciências humanas e sociais vem de longe. Fui professora durante 30 anos, dando aulas do Ensino Médio ao Mestrado.

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