Conhecendo as nossas histórias

Quantos de nós realmente conhece a sua própria história? Vamos vivendo e poucas vezes nos interessamos em perguntar ao nossos pais/cuidadores como éramos quando crianças. Como fomos? Do quê gostávamos, como quê brincávamos e com quem gostávamos de estar? E o nosso temperamento? Era compatível com a nossa idade cronológica? E na escola? Fazíamos amigos com facilidade? E em grupo, participávamos ou éramos individualistas? Já mostrávamos as preferências e/ou tendências? E o nosso ambiente, como era e como isso diz de nós mesmos agora? E, o quê hoje temos de tudo isso? Sabemos que “a única maneira de mudar de vida é mudando de ambiente”. E esse determina o nosso comportamento, como nos orienta Andrea Vermont. Como estamos no aqui e no agora? Quais as angústias identificamos? Em que lugar nos colocamos? Estamos nos priorizando ou dando espaços para que as definições e validações venham só do “externo” a nós? “Quando não nos priorizamos, abrimos lugares para que outros ocupem, que invadam, exijam, atravessem”. Muitas vezes precisamos dizer “não” e isso não significa ser “insensível, duro”. Importante se faz a reorganização interna para organizar por fora. Ter limites claros para diminuir os excessos, as invasões e ampliar as relações conhecendo como éramos para saber o que somos e porquê somos. Percebo que no texto de hoje, transitei pela Psicanálise e pela TCC-Terapia Cognitiva Comportamental, pois o questionamento socrático está evidente! As bases e orientações teóricas se perpassam e se complementam. E com isso, mesmo conhecendo um pouco das nossas histórias, ainda temos um longo caminhar.
Futuro

Não são poucas as vezes que ouvimos dizer “o futuro a Deus pertence”. Mas, e o hoje? O que dele estamos fazendo? Nascemos, crescemos, aprendemos, estudamos, trabalhamos, cuidamos da nossa vida. Mas, bem ao nosso lado, a vida acontece, passa, se faz. O papel dos pais é dar base para que o filho aprenda a lidar corretamente com as dificuldades e emoções de toda a vida. O adulto precisa entender o que acontece com ele para poder ajudar uma criança. Pais emocionalmente adoecidos vão criar filhos emocionalmente adoecidos também. Importante se faz manter a coerência, o equilíbrio, a sensatez. Uma dica de especialistas é a de que os pais que desejam ensinar seus filhos a lidar de forma saudável com sentimentos é fazer sua própria autoanálise, principalmente aqueles pais que pertencem a gerações em que externar emoções era reprimida. Crianças muitas vezes não identificam suas emoções e para isso seus pais devem nomeá-las para que eles denominem o que estão sentindo. Como estão os lares dos brasileirinhos nessa situação tão turbulenta e indefinida da vida de nosso país? Qual a atmosfera psíquica de lares em que os pais foram despojados de seus empregos, devido à recessão? “Muita calma nessa hora”, diriam alguns. Como? Segundo a psicóloga Paula Gomide, “o medo não acolhido e consolado pelos pais, pode se transformar em fobia, por exemplo, bem como a alegria não compartilhada, pode trazer apatia à criança”. Não são raros os casos em que a criança manifesta agressividade quando não compreendida, não acolhida em suas manifestações. Sabemos que educar uma criança não tem receitas nem fórmulas mágicas. Portanto, se faz necessário estar bem informado, conhecer as fases pelas quais elas passam e com elas perceber quais suas reais necessidades. E envolvê-las com muito amor, disciplina e limites, pois quem sabe assim teremos um futuro muito melhor, mais coerente e digno do que estamos vivenciando na atualidade.
Autismo

Em minha experiência profissional, me deparo com situações emocionantes, quando uma criança, por exemplo, ao invés de brincar “normalmente” com um carrinho, prefere girar as suas rodinhas de forma constante e obsessiva. Uma simples forma de agir, a princípio curiosa e peculiar, pode ser sintoma de uma condição muito temida pelos pais: o autismo. Importante se faz falar sobre o tema, deixando de lado tabus e preconceitos. Muitas famílias se assustam quando recebem esse diagnóstico, e muitas vezes se desesperam: a criança se autoflagela, não se faz entender, se agride, bate em seu próprio rosto, bate a cabeça na parede. Muitas crianças não falam, não verbalizam, mas se comunicam e entendem. Familiares contam no dia a dia com constantes desafios e superações. É um aprendizado constante. O diagnóstico do autismo depende da observação clínica e do comportamento do indivíduo, ao considerar o desenvolvimento motor, psicomotor e social. Esse transtorno não é diagnosticado através de exames e pode se manifestar de forma leve, moderada e severa. Atualmente são duas linhas de critério para o diagnóstico: déficit de comunicação e interação social e padrão de comportamento repetitivo e/ou estereotipado. Esses dois eixos são fundamentais. Os sujeitos autistas têm potencialidades, que bem canalizadas farão com que participem socialmente, com relacionamentos e interações. Podem ser alfabetizados, ter rotinas, conhecer cores, números, partes do corpo, isso tudo, mesmo sem falar. Seu aparelho fonador é bem formado, mas não se tem ainda uma lógica para essa falta de comunicação oral. Muitas vezes emitem determinados sons para significar algo ou manifestar uma vontade. A maior evolução do autista é baseada no afeto. Afeto dos pais, dos professores e esses devem estar preparados para acolher esses sujeitos. Estabelecer com eles uma empatia real, rotinas e combinados, além de considerar a alimentação, que atualmente está sendo estudada, pois é fator de melhora. Essa alimentação deve ser isenta de caseínas, glúten e soja, pois essa dieta promove alterações cerebrais que diminuem a euforia e a agressividade. A psicoterapia se faz importante para os sujeitos autistas, sejam crianças ou adultos, que deverão ter um cérebro bem nutrido, sem problemas gastrointestinais ou toxicidade, elementos que prejudicam a comunicação cerebral. Portanto, a alimentação é fundamental. Importante se faz perceber que estamos todos juntos, falantes, ouvintes, silenciosos, numa relação de troca afetiva que dá sentido às nossas existências. E também lembrarmos que somos todos iguais nas diferenças.
Adictos secos

Hoje abordo um assunto pouco divulgado e também pouco pensado entre nós: a adicção seca. O que é isso? Muitos se indagarão. Adicção é vício, mania, dependência, submissão e na maioria das vezes está relacionada às drogas lícitas ou ilícitas. Quantas vezes nos deparamos com pessoas que não largam seus celulares, nem para comer ou ir ao banheiro. Aí inicia a dependência. No mundo atual necessitamos estar sempre conectados, ligados. E dessa forma, podemos estar pondo em risco o que nos é importante: as relações pessoais. As redes sociais, a internet, nos facilitam muito a comunicação, mas também nos impessoaliza, nos afasta do calor humano, do contato visual, do afeto. Tudo nos parece bonito e maravilhoso. Quantas horas por dia seu filho passa jogando videogame, falando com pessoas que muitas vezes nem conhecemos? Quantas pessoas, mesmo adultas, já foram enganadas por falsas personalidades? A adicção seca nada mais é do que estabelecer um íman com o mundo virtual. “Não podemos mais viver sem ele”. Porém, tudo é uma questão de dose e controle. Podemos desfrutar de um bom espumante, sem que nos tornemos dependentes do álcool. Podemos saborear uma boa comida, sem que dela façamos uma compensação de nossas frustrações e no tornemos obesos mórbidos. E também podemos usufruir da tecnologia, sem nos escravizarmos, sem sermos levados ao isolamento, sem nos desligarmos do mundo real. Essa questão exige muita atenção dos pais, no sentido de acompanhar o cotidiano de seus filhos. Observar o cansaço, a falta de disposição, a ocupação de seu tempo em atividades que possam ser coletivas e prazerosas, envolvendo familiares, onde haja a troca, a competição sadia e afetiva. Especialistas alertam que a “cyberdependência pode desligar o sujeito do mundo real, provocar lesões e cortar o elo com a vida”. Exemplos reais de mães que nos relatam que “se deixar, ele fica em frente ao computador o dia inteiro, não brinca, não para nem na hora das refeições”. Conforme a idade, isso pode ocasionar até atraso cognitivo, pois o excesso de mundo virtual poderá dificultar a criança de criar espaços de manobra para uma conversa, fantasiar ou até mesmo, perceber situações de perigo. E aquelas que muitas vezes se transformam nos próprios personagens do mundo virtual? Esse risco existe. A psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática da PUC-SP, nos aponta que se a criança fica três horas por dia no computador e, nesse período, ela pesquisa, entra nas redes sociais, baixa uma música, isso não é negativo. Ela está realizando o uso amplo dessa ferramenta, acrescentando coisas novas para sua vida. O importante é a dose e o acompanhamento dos pais. Nos adolescentes, estar alerta se faz necessário, pois os mesmos nessa fase já são mais reclusos e o uso do mundo virtual incentiva isso. Não são os conteúdos disponíveis que viciam, mas sim o propósito que a pessoa tem pelo mundo virtual. Isso propicia a perda da capacidade de lidar com eventos do cotidiano, do face a face, da troca afetiva, do calor humano. Computadores e celulares não precisam ser vilões. Crianças com déficit de atenção, por exemplo, podem usar games para aprender a fazer foco. Neuropediatras ressaltam que o uso desses instrumentos é essencial, mas necessita de acompanhamento e que os pais saibam exatamente o que os filhos estão fazendo, dialogando com eles sobre os riscos do ambiente virtual. E para os adultos, cabe maior rigor e controle em suas escolhas, canalizando a internet para seu uso racional e equilibrado, sem deixar de estar presente nos momentos de confraternização, troca de ideias, de uma boa conversa, de assistir um bom filme ou mesmo, tirar uma soneca reparadora de seu cotidiano de trabalho.
Descansando a mente

Todo ano entramos em férias, sejam escolares, do trabalho, de alguma atividade rotineira. Porém, será que também damos férias para a nossa mente? Será que desligamos “o alarme interno” que muitas vezes disparam pensamentos ruins, negativos, catastróficos? “Pensar é prever?” Nem sempre. A ciência comprova, 90% das preocupações nunca acontecem. Pelo menos da forma que concebemos mentalmente. “O cérebro ansioso antecipa ameaças que raramente se confirmam.” Por isso, importante refletir se estamos alimentando uma pré-ocupação ao invés de nos ocuparmos quando o fato realmente acontecer. Avaliar atos e suas consequências são atitudes que nos dão evidências concretas e diminuem sofrimentos antecipatórios. Fácil de realizar? Não, mas possíveis quando nos conscientizamos disso. A respiração consciente pode ser um mecanismo importante para acalmar o “alarme interno.” Pode oxigenar mais o cérebro, diminuindo a velocidade e o excesso de pensamentos, trazendo a mente para o aqui e agora. Escrever e planejar avaliando o quê de concreto pode ser realizado também ajuda e diminui a ansiedade. “Depois, pergunte: isso depende de mim? Se sim, organize em etapas, planeje. Se não, aprenda a soltar. A mente precisa de conclusões, fechamentos.” Exercício físico, sono, menos tela e estímulos deixam o cérebro mais calmo, sem pensamentos automáticos frenéticos e intrusivos. “Mente sobrecarregada traz desgaste, estresse e esgotamento e esses geram sofrimento e isso requer ajuda e cuidado profissional.” Procurar ajuda não é fraqueza, é coragem de se olhar por dentro, de querer entender o que causa sofrimento e avançar em qualidade de vida. Portanto, “dar férias para o pensamento”, é desacelerar a mente, gerenciando emoções e fazer pausas conscientes como antigamente se dizia: “higiene mental”. Creio que dessa forma a mente descansará.
Chegando em 2026

A chegada de um novo ano, nos proporciona uma diversidade de sentimentos: avaliamos o que fizemos, ou o que deixamos de fazer no ano anterior, estabelecemos metas, criamos expectativas, ou muitas vezes, “deixamos a vida nos levar”. Realizar esse “balanço”, é tomar conhecimento do que fizemos ou não, para poder projetar o que estabeleceremos de objetivos para o novo tempo. Desta forma, aqueles que tiveram sucesso, projetam que assim continuem, e para os que atravessaram momentos difíceis, com muitas dificuldades, a esperança se renova numa nova chance de um futuro mais positivo. E, a Psicologia Positiva nos orienta, acerca da “importância de praticar o exercício da gratidão”. “Tais exercícios, abrem portas para que possamos olhar para o novo com mais esperança e motivação, para que possamos nos abrir para um futuro próximo: um novo ano”. Nesse sentido, repensar no que realmente tem valor, para cada um de nós? Não somente se deixar levar pelo que todos fazem ou querem? Perceber o que realmente nos deixa felizes, tranquilos e em paz? Será possível, viver mais simplesmente, porém mais próximo e presente na vida do outro? Poderemos sentir alegria e prazer nas coisas simples da vida? E estabelecer metas e desafios mais adequados e passíveis de realizarmos? A passagem de ano implica num recomeço, na renovação, na mudança, na perspectiva futura. E, para que o novo se faça, importante se faz, estabelecer metas claras, com base em compromissos com o que concretamente queremos realizar, sem ficar no imaginário e sim colocando em prática, concretizando. “Algo que ocorre tanto em nível intelectual como emocional”. E, ser plenamente verdadeiro em razão de avaliar “os porquês” das metas estabelecidas no sentido de perceber o que realmente queremos ser. Segundo a Psicóloga Ângela Fabbri, in vittude.com, “quando visualizamos uma meta ou realização, pensamos no resultado final e para tal, temos que ter consistência no dia a dia, para que nossos objetivos sejam alcançados”. Por isso, fica mais fácil, dividirmos em pequenas realizações para de passo em passo, chegarmos à meta maior. “O ato de dividir as metas em etapas menores, facilita o processo e nos ajuda emocionalmente”, porque se algo não se realizar a frustração não nos desanima. “Ao comemorar as pequenas realizações, nosso cérebro produz dopamina e serotonina, entre outros neurotransmissores, responsáveis pela sensação de prazer e recompensa”. E, de pequenos sucessos vamos nos auto-estimulando a enfrentar os desafios no sentido do que projetamos. Também importante é trabalharmos visualmente, “escrevendo” as metas, isto é, tendo uma “visualização criativa” e voltando a elas para checagem e reavaliação constante, observando caminhos e/ou obstáculos, prazos e possibilidades, dando um passo de cada vez. E, de acordo com a Terapia Cognitiva Comportamental, podemos estabelecer um cronograma: 1- estabelecer metas; 2-ser realista; 3- fracionar as metas; 4- escolher as resoluções com critérios; 5- acreditar em nós mesmos; 6- fazer anotações; 7-celebrar as conquistas; 8- receber suporte (aqui a Psicoterapia se faz importante); 9- não desistir no primeiro fracasso; 10- seja protagonista (as metas são de nós mesmos). Portanto, bem-vindo 2026!
É Natal

Ano após ano comemoramos essa data. Famílias se reúnem, presentes são trocados, muita alegria e também uma certa nostalgia. São esses momentos que nos alimentam esperanças, que nos dão significado, pois a essência do Natal encontra-se na vida familiar, nos reencontros, na alegria, na diversão, no compartilhar de afetos através de gestos simbólicos, no prazer de estarmos perto dos que amamos. Também, ausências são sentidas, lembranças dos que já não estão fisicamente conosco, mas que em nossa memória ainda nos fazem felizes. Segundo André Viegas, em oficinadepsicologia.com, “quando nos deparamos com uma cadeira vazia, existe uma possibilidade de se construir um novo Natal” e o mesmo aponta algumas sugestões: “fazer reuniões familiares antes que cheguem estas datas, falar das pessoas que já não estão entre nós, compartilhar nossas emoções e propor atividades diferentes daquelas habituais dos dias 24 e 25 de Dezembro”. Nesse sentido, coloco como sugestão uma viagem curta, um lugar aprazível junto à natureza, uma praia. O Natal, grande festa do Cristianismo, é celebrado por séculos e séculos. É uma festa de beleza, que toca todas as pessoas fraternalmente, que fala do amor ao próximo, que fala da convivência em paz. Segundo Mario Sérgio Cortella, “é uma festa de amorosidade”. Há alguns cristãos, entre eles os ortodoxos, que comemoram em 06 e 07 de Janeiro e não em 25 de Dezembro – data escolhida simbolicamente devido aos romanos terem uma festa que denominavam de Sol Invencível, o sol que nunca acaba. E dessa forma relacionaram com o nascimento de Jesus e com isso o nascimento da religião cristã. O nascimento do Salvador, que veio purgar os pecados da humanidade. E nessa data temos o dia mais longo, em que sol há de brilhar por mais tempo. Portanto, significa maior esperança, troca de mensagens e presentes. “É ter esperança de que poderemos ter melhores momentos do que já vivemos”, nos aponta Cortella. Trocar presentes vem do período romano, quando os mesmos tinham uma festa chamada de Saturnália. Muitas vezes relacionamos os presentes aos Reis Magos, mas os romanos já faziam isso na antiguidade. E a estrela que guia, já existia, pois tudo era marcada pela astrologia. Quem cria a ideia da gruta, do presépio, foi Francisco de Assis, no século XII e XIII, para lembrar a ideia da simplicidade, que todos nascemos sem nada e nada levaremos. Quanto ao Papai Noel, vem associado com um Bispo da Turquia, chamado Nicolau, que distribuía presentes às pessoas que não tinham recursos, hábito construído nos últimos 2000 anos, nos afirma Cortella. Nesse sentido, “a mensagem é aquela do Cristianismo de que lembra o nascimento de uma criança, que mesmo sendo pobre, trouxe na crença dos cristãos a maior riqueza: que é uma alma que não se perde”! (Cortella, 2016) Portanto, que todos os dias sejam Natal.
Ser Psicólogo(a)

É ter escuta atenta e ativa, sem julgamentos, é ter empatia, por meio de teorias que embasam a prática e encontrar caminhos para as diferentes e incontáveis situações que permeiam a existência humana. Também ter objetivos claros que definirão as abordagens e junto com os pacientes estabelecer contratos, manejos, aconselhamentos, sugerir caminhos e decisões que poderão ser tomadas a partir da análise realizada. É um trabalho que nos possibilita estimular as mudanças necessárias e importantes ao que pode estar gerando “sofrimento, angústias, fugas, ansiedades, resistências, receios, fobias, tomada de decisão, isolamento, depressão, entre muitas outras queixas”. Também proporciona mudanças efetivas a nível cerebral, quando a “neuroplasticidade se dá, fortalecendo novas conexões neurais, substituindo padrões disfuncionais por outros mais saudáveis”. “Em pessoas com ansiedade, a amígdala (centro do medo) fica hiperativa. A terapia reduz essa atividade, diminuindo respostas automáticas ao estresse. A amígdala, área ligada ao controle consciente e regulação emocional, torna-se mais ativa, ajudando o cérebro a gerenciar melhor as emoções. Estudos mostram que a terapia pode aumentar o volume de substância cinzenta em áreas como o hipocampo e o córtex pré-frontal, o que se traduz em maior equilíbrio emocional e raciocínio mais claro”. Também proporciona melhora na vida do psicólogo quando ao se deparar com a “melhora da qualidade de vida” do seu paciente, percebe que avanços aconteceram a partir da relação transferencial e de confiança estabelecida no “setting” terapêutico. “É gratificante perceber que enquanto alguém avança na sua própria história, algo em nós também se movimenta”. “O trabalho em Psicologia é assim: troca, construção e transformação mútua”. Portanto, ser Psicólogo(a) é construir história de vida em parceria, facilitando o autoconhecimento e melhoria da qualidade de vida.
A psicologia do tempo

Tempo, nossa riqueza, nossa vida, o determinante de tudo. Muitas vezes nos deparamos sem perceber, escravos do mesmo e não nos damos conta que o hoje é “aquilo que acontece enquanto estamos fazendo planos para o futuro”. (John Lennon) Muitas vezes nos propomos a realizar tantas coisas e quando nos damos conta, não fizemos nem a metade. Importante perceber, o que fazemos dele, em que lugar e mãos o colocamos e como lidamos com as frustrações, quando não alcançamos o êxito pretendido. Também desperdiçamos quando não observamos uma linda paisagem, à qual por ela passamos todos os dias. Não nos permitimos fazer aquela viagem que tanto sonhamos. Não convivemos com as pessoas que muitas vezes lembramos, mas em sequer lhes damos um alô. Tempo também requer escolhas e, dessas, consequências virão. Importante é não banalizarmos o nosso tempo, gerando climas tensos e desiquilibrados, onde o ambiente se desfaz e os sujeitos não encontram a liberdade de ser. Tempo influencia nossas decisões. Temos também o tempo psicológico: “o tempo que você não vê”. “Para realizar grandes feitos, duas coisas são necessárias: um plano e não muito tempo”. (Leonard Bernstein) Na antiguidade, media-se em ampulhetas, nos relógios solares, passando pelos calendários, mapas e cronômetros. Hoje, na era digital, nem os relógios de pulso estão muito mais presentes. O paradoxo do tempo: a inconsciência. Zimbarbo escreve em seu livro: “O tempo possui a mais poderosa influência em nossos pensamentos, sentimentos e ações, entretanto nós geralmente estamos inconscientes do efeito do tempo em nossas vidas”. Outro aspecto é o relativo ao presente e ao futuro. Muitas pessoas vivem mais no passado do que no presente. E fantasiam o futuro. Vamos viver da melhor forma o presente, o tempo está se fazendo, passa e não se recupera. Quando achamos que não temos mais tempo, tudo que precisamos é de um instante para tomarmos as nossas melhores decisões.