Voltando à rotina

Depois das merecidas férias que todos temos o direito de desfrutar, eis que as férias acabaram e a rotina de trabalho se estabelece novamente. De início, parece que relutamos um pouco, pois até o nosso corpo e a nossa mente assimilar as rotinas necessárias, resistimos.

Nem sempre as rotinas nos deixam com o ânimo necessário para o enfrentamento do dia a dia. Certas vezes estabelecemos objetivos altos e fora de nossa realidade, tendo baixa expectativa e, por conseguinte, o esforço aumenta.

Dessa forma, em algumas manhãs, ao toque do despertador, a sonolência nos prende a mais um cochilo. Mas o tempo e as obrigações, que nós mesmos escolhemos, não nos esperam. É nesse momento que doses de bom-senso vêm ao nosso socorro e nos apoderam das nossas consciências. E, também podemos nos questionar: será que estou sozinho nessa condição? “Há muita vida lá fora”, diz a canção.

Muitos se levantam ao escutarem o choro do filho, outros por necessidades fisiológicas, como ir ao banheiro ou para matar aquela fominha. Outros por assumirem compromissos, por terem que viajar, para ganhar dinheiro ou mesmo porque o horário de ir à escola está premente. Muitas vezes também, por meio da desaprovação alheia, “o que vão pensar”. “Já amanheceu e eu estou ainda na cama”.

“Pensar no que nos move a continuar a cada dia leva à conclusão (meio óbvia, concordo) de que não são apenas as grandes decisões que norteiam nossas vidas, como casar, comprar uma casa, seguir uma carreira, mudar de cidade ou até de país, ter ou não ter filhos. Seja na profissão ou na vida pessoal, a cada dia criamos cenários, fazemos planos, tomamos decisões”. (Gláucia Leal In Mente e Cérebro. 2017)

Segundo o psicanalista Benilton Bezerra Jr., “tudo o que existe é impermanente, depende de causas e condições para existirem e, se essas cessarem, os fenômenos não se sustentam”.

Quando temos uma intenção, importante a motivação que nos impele ao alcance das forças geradoras de possibilidades, pois dessa forma, se houverem empecilhos e/ou frustrações, essas serão avaliadas e enfrentadas de forma menos dolorosa e mais realista. 

Também no desenho de nossas vidas, cientistas apontam que “nem sempre o que buscamos de forma ardorosa, é aquilo que nos satisfaz: pode haver um descompasso”. E, dessa forma, é importante rever e reavaliar nossos objetivos e metas e muitas vezes corrigir rotas.

Temos também a influência bioquímica cerebral, que “pela produção de dopamina, vamos abrindo caminhos de recompensa do cérebro. É ela, a dopamina, que nos move e dá a sensação de prazer e satisfação. Sua ação apresenta informações a respeito do sucesso – esperado ou já concretizado”.

Por isso é importante ter metas claras, avaliação do contexto em que estamos e da consciência dos fatores que poderão influenciar as nossas rotinas.

Quebrá-las se faz importante. Olhar com distanciamento é imprescindível.

“A longo prazo, só costuma ficar realmente satisfeito com a própria vida quem realmente tem autonomia para fazer escolhas e arcar com as consequências delas”. (Benilton Bezerra Jr. 2017)

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Lílian Gomes
Atuo como psicóloga em Ponta Grossa desde 2011, mas minha dedicação às ciências humanas e sociais vem de longe. Fui professora durante 30 anos, dando aulas do Ensino Médio ao Mestrado.

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