Há algum tempo, me reportei ao Dia do Professor com o acima colocado, completando com a frase “faróis em nossas vidas”.
Não mudei meu modo de pensar e olhar os mestres que passaram e passam por nossas vidas. O professor perpassa todas as profissões. Mas, ainda lamento por tão pouca valorização.
Considero como primeira mestra a minha nona que me alfabetizou e que depois teve que explicar porque eu, quando criança, dizia ao ser indagada acerca das primeiras letras, que meu “U” era do fogão, pois na palavra fogãonão tem “U”. Talvez eu tivesse a maior dificuldade em memorizar e abstrair o “U”, que ela em sua sabedoria primária em termos de alfabetização, correlacionou a um enfeite prateado, de seu forno do fogão à lenha, para concretizar meu aprendizado, recortando letras em papelão. Todos aprendemos, mesmo por diferentes caminhos.
Por isso, mestres, se algum aluno questionar que o “verde” não é só da folha, mas também do azulejo, confira.
Podemos fazer diferentes caminhos cognitivos. As experiências, o contexto, o ambiente, a genética, as relações neuronais, os estímulos recebidos nos fazem diferentes e iguais na aprendizagem.
O Dia do Professor foi criado em 15 de Outubro de 1827 por Decreto Imperial, que criou o Ensino Elementar no Brasil. E, para oficializar “condignamente os estabelecimentos de ensino promoveriam solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”, indicava o referido decreto.
E em nossos dias?
O que estão querendo fazer com a educação e a saúde? Será que essas áreas tão importantes da sociedade estão sendo realmente priorizadas nos orçamentos públicos? Será que a própria população e a iniciativa privada realmente pressionam a classe política a investir mais em educação, ou só aparecem para defender seus próprios interesses particulares? Nossa educação reflete os desafios do nosso século, estimula o pensamento crítico e a autonomia? Pensemos nisso.
Mas hoje quero homenagear nossos mestres, sujeitos do saber, da pesquisa, da extensão.
Verdadeiros heróis, que mesmo sem a mínima estrutura, não medem esforços para nos transmitir conhecimentos e sabedoria. Transformam muitas vezes o impossível em possível, tal a precariedade de seu ambiente de trabalho e de reconhecimento em termos de remuneração.
Portanto, professores, que todos os dias sejam seus.